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A biodisponibilidade da dexametasona no tratamento da COVID-19

De acordo com resultados preliminares de um estudo clínico realizado por investigadores da Universidade de Oxford, a dexametasona, um fármaco anti-inflamatório, provou ser eficaz no tratamento da COVID-19, reduzindo em 35% o risco de morte em doentes ventilados, e em 20% em doentes oxigenados. A Prof. Doutora Ana Rita Duarte, responsável por um estudo realizado pelo Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (LAQV-REQUIMTE), em colaboração com o Grupo de Investigação 3B´s da Universidade do Minho, adiantou de que forma o aumento da biodisponibilidade do fármaco pode contribuir não só para o tratamento da COVID-19, mas também de outras doenças. Veja o vídeo.

Se, por um lado, o estudo RECOVERY (Randomised Evaluation of COVid-19 thERapY), da Universidade de Oxford, revelou que “os doentes que estavam a receber oxigénio e ventilação, quando administrado dexametasona, melhoravam significativamente, relativamente àqueles em que não era administrado este fármaco”, por outro, com o projeto de investigação português sobre sistemas eutécticos terapêuticos (do inglês, THEDES), foi possível “aumentar aquilo que se designa por biodisponibilidade, ou seja, conseguimos melhorar as propriedades do fármaco”, no sentido de encontrar uma terapêutica mais eficaz para a COVID-19, começa por dizer a responsável.

“Quando tomamos um comprimido, estamos sempre limitados pela facilidade com que este comprimido vai chegar às células e atuar. Se ele se dissolve pouco em água, que é o principal constituinte do nosso corpo, quer dizer que vai ter uma biodisponibilidade relativamente baixa. Com estes sistemas eutécticos conseguimos aumentar esta solubilidade cerca de 65 vezes”, esclarece.

A investigadora acrescenta que “em termos terapêuticos, é preciso receitar uma dose muito mais baixa deste fármaco para fazer o mesmo efeito”, adiantando que “ao termos uma menor dose com a mesma eficácia, conseguimos também diminuir os efeitos secundários do princípio ativo”.

A questão é, continua a especialista, “verificar se a dexametasona administrada desta forma pode ter um efeito mais rápido, por ter uma biodisponibilidade maior”, e contribuir não só para o tratamento da COVID-19, mas também de outras doenças.

A Prof. Doutora Ana Rita Duarte conclui relembrando a necessidade de serem realizados mais estudos que comprovem esta tese, assim como a regulamentação da Food and Drug Administration (FDA) e da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), “para chegar a um produto que possa ser utilizado”.

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