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A eficácia das máscaras faciais na dispersão dos vírus respiratórios

Leung N et al. publicaram na Nature Medicine que os aerossóis são um modo potencial de transmissão de coronavírus e que as máscaras cirúrgicas têm o potencial de reduzir a emissão de partículas virais.  Apesar da deteção de ARN viral de coronavírus nas gotículas respiratórias e nos aerossóis, os investigadores não chegaram a avaliar a infecciosidade viral detetada na respiração exalada.

Segundo Leung N et al. (Nature Medicine 2020), a  evidência de eficácia de filtração das máscaras faciais tem resultado de experiências in vitro com partículas não biológicas (Patel RB et al. J. Occup Environ Hyg 2016). Por esse motivo, estes autores tiveram como objetivo explorar a transmissão de três tipos de vírus – coronavírus (sazonal), vírus da influenza e rinovírus – através de gotículas respiratórias e aerossóis exalados por indivíduos com doença aguda por vírus respiratório.

A partir de um screening de 3363 indivíduos, o estudo integrou 246 participantes que providenciaram amostras de respiração exalada (durante um período de 30 minutos de recolha de amostra) através de um dispositivo coletor de bioaerossois, denominado Gesundheit-II. Durante o procedimento, metade dos indivíduos usou máscara facial e a outra metade não a usou (a distribuição dos indivíduos por estes dois grupos foi aleatória).

As infeções devidas a pelo menos um vírus respiratório foram confirmadas por RT-PCR em 123 indivíduos, dos quais 111 estavam infetados com, pelo menos, um dos três tipos de vírus que se pretendia analisar (dos 111 indivíduos, um estava co-infetado com coronavírus e vírus da influenza e dois estavam co-infetados com rinovírus e vírus da influenza). Estes 111 indivíduos foram o foco de análise desta publicação.

O ARN viral foi identificado numa proporção das amostras recolhidas (com ou sem máscara facial), tanto a partir de gotículas respiratórias (> 5μm) como de aerossóis (≤ 5μm), que foram capturados e triados pelo dispositivo Gesundheit-II durante o período de recolha da respiração exalada (tabela 1).

Tabela 1. Eficácia da máscara cirúrgica em reduzir a frequência de deteção viral em gotículas respiratórias e aerossóis de indivíduos sintomáticos com coronavírus, vírus influenza ou rinovírus

Coronavírus (sazonal) vírus influenza rinovírus
Sem máscara Com máscara Sem máscara Com máscara Sem máscara Com máscara
Gotículas respiratórias 30% 0% 26% 4% 28% 22%
aerossóis 40% 0% 35% 22% 56% 38%

Nota: a negrito estão os dados que apresentaram uma diferença estatisticamente significativa

Os resultados resumidos na tabela 1 mostram que, a nível das amostras obtidas sem o uso de máscara, a maioria dos doentes infetados com coronavírus ou influenza não exalou vírus detetáveis quer nas gotículas respiratórias, quer nos aerossóis, ao contrário do rinovírus que foi detetado nas gotículas respiratórias de 56% dos participantes. Por outro lado, o uso da máscara revelou um decréscimo na percentagem de indivíduos em que se detetou partículas virais resultantes da respiração exalada. No entanto, apenas as percentagens a negrito da tabela 1 correspondem a reduções estatisticamente significativas, em comparação com o grupo que não usou máscara.

Os autores referem ainda que conseguiram identificar ARN viral num número pequeno de participantes que não tossiram durante os 30 minutos de recolha de respiração exalada, o que sugere que vias de transmissão de gotículas e aerossóis são possíveis a partir de indivíduos sem sinais ou sintomas óbvios.

Apesar de os investigadores terem demonstrado a deteção de ARN viral na respiração exalada, não chegaram a avaliar a infecciosidade do coronavírus ou rinovírus detetados nessa respiração exalada.

Com base nos resultados do estudo, os investigadores concluíram que o uso das máscaras cirúrgicas pelos doentes com COVID-19 pode reduzir a transmissão da infeção.

 

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