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COVID-19 em doentes com psoríase: estudo observacional multicêntrico em Portugal

A psoríase não foi identificada como fator de risco associado a um pior prognóstico de COVID-19, ainda que se saiba que algumas das formas mais graves da infeção pelo SARS-CoV-2 são comuns aos doentes com psoríase. Esta relação esteve em foco durante o último congresso da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venerealogia (SPDV), na sessão “COVID-19 em doentes com psoríase – estudo observacional multicêntrico em Portugal”, em que o presidente do Grupo Português de Psoríase, Prof. Doutor Tiago Torres, apresentou as conclusões desta investigação.

No estudo foram incluídos 33 doentes, provenientes de 11 centros portugueses, com psoríase em placas, estando na maioria dos casos controlada. A maior parte dos doentes era do sexo feminino e a comorbilidade mais prevalente na amostra foi a hipertensão arterial. Em termos terapêuticos, 82% dos doentes estavam sob terapêuticas sistémicas e 70% sob terapêutica biológica das diversas classes.

Relativamente à sintomatologia e evolução da infeção, cerca de 94 % dos doentes incluídos eram assintomáticos ou pauci assintomáticos, apresentando febre, mal-estar, tosse, anosmia, entre outros. Estes doentes não tiveram necessidade de terapêutica dirigida e realizaram isolamento domiciliário. A terapêutica sistémica foi suspensa durante o período de positividade em dois terços dos doentes, tendo sido escolhidos aqueles em que a posologia o permitiu. O tempo médio de positividade para SARS-CoV-2 foi de 25.3 dias. A terapêutica foi retomada em 13 dos 18 doentes que a suspenderam.

Em relação aos resultados, não foi reportada nenhuma morte e a psoríase manteve-se inalterada em 87.8% dos doentes e agravou-se em 12% dos doentes, doentes que suspenderam terapêutica biológica ou tópica. Estes resultados estão em linha com a maioria da evidência publicada, que aponta não haver pior risco de prognóstico de COVID-19 nos doentes com psoríase e que as terapêuticas sistémicas biológicas podem até diminuir o risco de hospitalização e mortalidade por COVID-19. Este estudo teve ainda a vantagem de analisar apenas casos confirmados de infeção.

O Prof. Doutor Tiago Torres fez ainda referência ao registo PsoProtect, segundo o qual a taxa de hospitalização e necessidade de ventilação é menor nos doentes sob terapêutica biológica, não tendo sido observada nenhuma diferença de risco entre estes agentes. Na opinião do dermatologista, “esta relação pode ser explicada pelo efeito imunomodulador desta terapêutica nos casos mais graves associados à ativação imune e também pela adesão maior que os doentes sob terapêutica biológica tendem a ter para com medidas de proteção”. Como conclusão, o Prof. Doutor Tiago Torres afirmou que os resultados demonstram segurança na utilização e manutenção de agentes biológicos durante a pandemia.

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