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Doentes graves com COVID-19: elevada incidência de complicações trombóticas

O estudo de 184 doentes internados na Unidade dos Cuidados Intensivos (UCI) devido a pneumonia causada pelo SARS-CoV-2, revelou que 31% dos doentes desenvolveram complicações trombóticas. Esta estimativa é conservadora porque 76% dos doentes permaneceram na UCI após término do estudo, continuando em risco de desenvolver complicações trombóticas. Por essa razão, os investigadores recomendam a profilaxia para a trombose em todos os doentes com COVID-19 internados na UCI e sugerem o uso de altas doses profiláticas, mesmo na ausência de evidência aleatorizada.

Klok FA et al. (Thrombosis Research 2020) avaliaram a incidência do outcome das complicações trombóticas arteriais e venosas em todos os doentes admitidos na Unidade dos Cuidados Intensivos (UCI) de três hospitais holandeses, entre 7 de março e 5 de abril. Os autores observaram que o outcome consistiu em: embolia pulmonar aguda, trombose venosa profunda, acidente vascular cerebral isquémico, enfarte do miocárdio e embolia arterial sistémica. A complicação trombótica mais comum foi a embolia pulmonar e nenhum dos doentes desenvolveu coagulação intravascular difusa.

Dos 184 doentes analisados, 13% morreram, 11% tiveram alta e 76% continuavam na UCI no dia 5 de abril 2020. Todos os doentes receberam, pelo menos, doses standard de tromboprofilaxia, embora os regimes diferissem entre os hospitais e as doses tivessem aumentado ao longo do tempo.

A idade e a coagulopatia (definida como prolongamento espontâneo do tempo de protrombina > 3s ou tempo de tromboplastina parcial ativada > 5 s) foram preditores independentes de complicações trombóticas.

Klok FA et al. afirmam que as suas estimativas de incidência de complicações trombóticas nestes doentes foram conservadoras por duas razões:

– a maioria dos doentes continuaram na UCI no final do estudo (correndo o risco de ainda virem a ter complicações trombóticas)

– a tromboembolia venosa é mais difícil de ser reconhecida em doentes intubados e o diagnóstico só foi realizado em limiares elevados de suspeita

Os autores do estudo advertem igualmente para o facto de não poderem ajustar as suas descobertas para as doses administradas de nadroparina, nem estudar o efeito de mudanças nos protocolos locais para a tromboprofilaxia.

Não obstante, segundo os autores, as descobertas deste estudo recomendam o uso estrito de tromboprofilaxia em todos os doentes com COVID-19 admitidos na UCI e sugerem o aumento da profilaxia para altas doses profiláticas, mesmo na ausência de evidência aleatorizada.

Por último, Klok FA et al. propõem que, mais do que tratar todos os doentes com tromboprofilaxia, os médicos deveriam estar vigilantes para os sinais de complicações trombóticas e pedir testes de diagnóstico apropriados a um baixo limiar de suspeita.

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