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Especialista português garante que assintomáticos são um perigo e que responsável da OMS se confundiu

O pneumologista e coordenador do gabinete de crise da Ordem dos Médicos, o Prof. Doutor Filipe Froes, mostra-se dececionado com a postura da Organização Mundial de Saúde (OMS) na gestão da pandemia de COVID-19. Em entrevista à Visão, a declaração da responsável da organização, Prof.ª Doutora Maria Van Kerkhove, o especialista lamenta as afirmações públicas contraditórias. “Quando mais se esperava uma voz lúcida e serena, surgem discursos contraditórios e uma estratégia de comunicação incoerente”, sublinha.

De acordo com o Prof. Doutor Filipe Froes, a responsável falhou quando misturou os diferentes tipos de assintomáticos, sem distinção, desvalorizando o peso que representam as pessoas sem sintomas na propagação da epidemia. “É certo que os assintomáticos podem não transmitir tanto quanto se temia, mas não há dúvida de que transmitem. É por isso que estamos em pandemia.”

A grande vantagem adaptativa do vírus SARS-CoV-2 relativamente ao ‘primo’, o causador da primeira epidemia de SARS, identificado no final de 2002, é precisamente o facto de poder ser transmitido por pessoas que não apresentam sintomas ou que têm apenas manifestações ligeiras. Enquanto em 2002/3 foi possível conter a progressão da doença com medidas de confinamento das cidades asiáticas em que houve casos, porque o vírus só se transmitia depois de surgirem os primeiros sintomas, desta vez está à vista que o caso é mais complicado.

“Com medidas iguais às adotadas para o SARS-CoV-1 não se conseguiu conter a epidemia. A declaração da pandemia, a 11 de março, é a prova de que as afirmações da porta-voz da OMS estão erradas”, sublinha o médico. “Foi esta vantagem adaptativa [a transmissão pelos assintomáticos] que sustentou a transmissão a nível mundial”, acrescentou.

Relativamente aos assintomáticos, o pneumologista Froes explica que há quatro tipos diferentes: pessoas que tiveram a doença, já não têm sintomas, mas continuam a dar resultado positivo no teste de PCR ao fim de um mês ou mais. Neste caso, o que o teste está a detetar são restos virais, que de facto não trasmitem a doença; os pauci-sintomáticos, pessoas com poucos e ligeiros sintomas, que acabam por não ser valorizados; os pré-sintomáticos, pessoas que ainda não desenvolveram, mas irão desenvolver sintomas; e os assintomáticos que não são identificados, que estão espalhados pela população sem serem conhecidos.

Este já não é o primeiro assunto em que a OMS faz declarações contraditórias. Já houve o caso do uso de máscaras, inicialmente não recomendado à população em geral, a eventualidade de surgir uma segunda vaga da epidemia, a relação entre a toma de anti-inflamatórios como o ibuprofeno e o agravamento da infeção pelo coronavírus.

“Este tipo de comunicação incoerente prejudica muito o esforço de contenção da doença e a adesão da população aos comportamentos recomendados. Era a última organização de quem esperava este tipo de atitude.”

 

Fonte: Visão

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