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Opinião

Eu estou infetado: somatização da COVID-19

“Estou com tosse e acho que também estou com falta de ar. Perdi o olfato e o paladar, sinto-me quente. Acho que estou com COVID-19”. Este discurso tem vindo a ser mais frequente nos últimos dias e esta sintomatologia associada à COVID-19 está presente num conjunto pessoas sem que estejam realmente com a doença em si, é um efeito psicológico do contexto atual: a somatização do coronavírus.

Diante desses sintomas, os passos seguintes são previsíveis, o recorrer ao Dr. Google para descobrir algo evidente: são os mesmos sintomas da COVID-19, ou ligar insistentemente para a Linha de Saúde 24, 112 ou outra que o Dr. Google recomende.

Se usar um termómetro, rapidamente verá que a temperatura está dentro dos parâmetros normais, mas porque é assim que o processo de somatização funciona, a tosse, a exaustão, a dor de cabeça, essas são reais.

Somatizar não é inventar o que não existe, não é criar fantasias, as pessoas têm realmente esses sintomas, mas a “causa” são as nossas emoções, a ansiedade constante…

Rapidamente percebemos que num contexto de pandemia, a somatização não é apenas normal, ela também é esperada. Encontra terreno fértil para o seu desenvolvimento.

A somatização do coronavírus é mais um efeito da pandemia e tem sido sentida por muitas pessoas. A nossa vida mudou, o mundo como o conhecíamos alterou-se e a carga emocional decorrente desta nova realidade é imensa.

A “febre psicológica” ultrapassa os 38º e o corpo inicia uma batalha não contra o vírus, mas sim com o medo. Os pensamentos negativos tornam-se automáticos e controlam a forma como vemos a realidade. As emoções descontrolam-se, surge o pânico, a dor e rapidamente toda a sintomatologia da somatização do coronavírus tornam-se presentes.

Para evitar estas situações devemos medir a “temperatura” das nossas emoções para impedir que nos levem ao limite, mantendo o nosso corpo e a nossa saúde como prisioneiros. Todas as emoções têm uma parte física: enrijece-se os músculos quando se está com raiva, verte-se lágrimas quando se está triste e respira-se mais rápido quando se está com medo. Essa é uma das vertentes das relações mente-corpo. Assim, torna-se compreensível que estados ou reações emocionais se expressem fisicamente, o desafio é estar atento ao que o seu corpo revela, para perceber o que a sua mente necessita.

Já mediu a temperatura emocional hoje?

 

Artigo de opinião da Dr.ª Vera de Melo, psicóloga

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