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“O desgaste profissional ainda não acabou, nem sabemos quando vai acabar”

Como é que os profissionais de saúde responderam à pandemia da COVID-19, no que toca a Medicina do Trabalho e a Saúde Mental? A resposta é dada pela Dr.ª Ana Matos Pires, diretora do Serviço de Psiquiatria da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), que, em conversa com a News Farma, sublinhou algumas das medidas a implementar para evitar o desgaste mental, bem como as suas preocupações quanto ao futuro no combate à COVID-19. Veja o vídeo.

“Esta pandemia teve implicações importantes no funcionamento de todos nós e, portanto, os profissionais de saúde não são exceção, bem pelo contrário, até porque foi a área que teve que responder mais no imediato”, começa por dizer a especialista.

Além disso, continua, trata-se de uma “classe que já vinha com queixas de desgaste profissional acentuado, com queixas relativas ao funcionamento das carreiras médicas, e naturalmente que uma necessidade de adaptação a qualquer coisa para a qual ninguém estava preparado” levou a uma grande sobrecarga dos serviços, sublinha.

Fatores desde a reorganização das unidades de saúde, à falta de contacto com a família por risco de contaminação, tiveram “implicações imediatas no funcionamento geral de todos nós em termos de cansaço físico, numa primeira fase, e depois em termos de cansaço emocional”, explica a Dr.ª Ana Matos Pires.

“Há um pré-COVID-19 e um pós-COVID-19, e o pós-COVID-19 nunca vai ser igual ao pré-COVID-19 em termos de estruturação de serviços. Ainda não temos esta pandemia ultrapassada, portando o desgaste profissional ainda não acabou, nem sabemos quando vai acabar”, apelando à regulamentação da Lei de Bases da Saúde e às questões laborais dos profissionais de saúde, particularmente no que toca as carreiras médicas.

Para a responsável, algo a considerar é a prevenção do burnout, “que pode não aparecer no imediato, mas que, seguramente, se não houver uma atenção grande à Medicina do Trabalho, vai ter implicações graves”. Nesse sentido, “é importante usarmos todos os meios que temos ao nosso dispor”.

Não sendo uma especialidade de linha da frente, a Psiquiatria não deixa de ocupar um lugar importante no que toca a articulação com os Cuidados de Saúde Primários, particularmente em situações de crise, para a definição dos serviços básicos. No caso da COVID-19, foi aplicado o Despacho 7056/2018 do Ministério da Saúde, construído na sequência dos incêndios em Pedrógão Grande e Castanheira de Pera, informa a responsável.

Como tal, “todos os serviços locais de saúde mental criaram uma linha telefónica permanente, para onde os profissionais da instituição poderiam ligar caso necessitassem”, sublinha.

Apesar dos serviços terem dado provas da sua capacidade de resposta durante os meses mais críticos da pandemia, a Dr.ª Ana Matos Pires afirma ainda estar “muito preocupada com o que ainda vem e que capacidade de resposta é que teremos”, adiantando que serão “meses muito exaustivos”.

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