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Publicação científica refuta conclusões da OMS sobre o uso de remdesivir no tratamento da COVID-19

Um editorial publicado no New England Journal of Medicine refuta um estudo publicado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que concluiu que o antiviral da Gilead Sciences, remdesivir, não aumenta a probabilidade de sobrevivência das pessoas com COVID-19, adiantando que o trabalho não refuta os ensaios clínicos que demonstraram os benefícios do medicamento no tratamento da doença.

Realizado pelos Profs. Doutores David Harrington, da Harvard T.H. Chan School of Public Health, Joseph Hogan, da Brown University e ainda pelo especialista em doenças infeciosas, Dr. Lindsey Baden, o editorial, publicado no passado dia 2 de dezembro, notou que o estudo da OMS, denominado “Solidarity”, foi conduzido em 30 países e analisou quatro tipos de substâncias, levando a inconsistências nos dados recolhidos.

Da Suíça ao Canadá, ao Peru e Filipinas, os autores justificam que existem “variações dentro e entre os países no que toca os padrões de tratamento e no peso da doença entre utentes que chegam aos hospitais”.

De acordo com o Dr. Andre Kalil, especialista em doenças infeciosas da University of Nebraska Medical Center e investigador principal do estudo governamental dos Estados Unidos da América (EUA) sobre a eficácia do remdesivir, o trabalho da OMS “não recolheu ou analisou os padrões de tratamento e a capacidade do sistema de saúde de nenhum dos 400 hospitais dos 30 países”, tornando-se problemático na medida em que “se o sistema de cuidados médicos é escasso ou inadequado, nenhum tratamento mostrará grande benefício, mesmo sendo eficaz, porque bons cuidados médicos são essenciais para a sobrevivência de doentes hospitalizados com COVID-19”.

Nesse sentido, os especialistas realçam que o “Solidarity” não encontrou qualquer benefício no tratamento da COVID-19 com o antirretroviral lopinavir, o resistente antiviral interferão beta-1a e ainda a hidroxicloroquina, usada no tratamento da malária.

Recorde-se que, em outubro, o resumo do ensaio clínico da OMS colocou em causa a utilidade do remdesivir, ainda que tenha sido comprovado que encurtou em cinco dias os internamentos de doentes COVID-19, comparativamente a placebo, num ensaio clínico realizado pelo governo dos EUA.

No mês passado, a OMS anunciou que o remdesivir não devia ser administrado em doentes hospitalizados com COVID-19, independentemente da gravidade da doença, alegando que não existem evidências de que o medicamento aumente a probabilidade de sobrevivência ou reduza a necessidade de ventilação mecânica.

Por outro lado, a Food and Drug Administration (FDA), agência federal dos EUA responsável pela proteção e promoção da Saúde Pública do país, aprovou, em outubro, o uso de remdesivir em doentes com COVID-19 com mais de 12 anos que necessitassem de ser hospitalizados. De notar que o medicamento também é autorizado no tratamento da COVID-19 em mais de 50 países, entre os quais Portugal.

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