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Resultados positivos do teste de RT-PCR em doentes que receberam alta médica para a COVID-19

O seguimento de doentes com COVID-19 revelou que alguns deles voltavam a testar positivo para o ARN do SARS-CoV-2 com o teste de RT-PCR, dias depois da alta médica. Estas observações sugerem que os critérios para a alta médica devem ser revistos.

O estudo publicado por Lan L et al. (JAMA 2020) descreve os casos clínicos de quatro médicos infetados com SARS-CoV-2 no Hospital Universitário de Wuhan, enquanto exerciam a sua profissão. Um dos médicos ficou internado no hospital e os restantes ficaram em casa de quarentena.

Após cumprirem os requisitos para receberem alta médica – normalização da temperatura corporal por mais de 3 dias; resolução de sintomas respiratórios; melhoria das lesões pulmonares, observada através da TAC; e dois testes consecutivos negativos de RT-PCR – foi-lhes pedido que continuassem o protocolo de quarentena em casa por mais cinco dias. Os testes RT-PCR foram repetidos 5 a 13 dias depois da alta médica e todos deram positivo, apesar dos doentes continuarem assintomáticos por examinação clínica e da TAC. Estes dados sugerem que, pelo menos uma proporção de doentes recuperada pode continuar a ser transportadora do vírus.

A hipótese proposta por Lan L et al. foi corroborada pelos resultados do artigo de Zhang JF et al. (International Journal of Infectious Diseases 2020). No Hospital destes investigadores, Hospital HwaMei, em conformidade com a recomendação do comité de prevenção e controlo do COVID-19, todos os doentes com alta médica (doentes que preenchem os requisitos descritos no parágrafo anterior) são transferidos para uma determinada unidade médica por um período de dias de quarentena e observação. O artigo de Zhang JF et al. descreve o caso clínico de um doente que voltou a testar positivo para o ARN de SARS-CoV-2, enquanto permanecia nessa unidade médica de quarentena e observação, apesar de assintomático. Por esse motivo, os investigadores sugerem que se deve reconsiderar a definição de cura.

Zhang JF et al. sugeriram quatro hipóteses possíveis para explicar os resultados falso-negativos: a fonte de recolha das amostras; o método como as amostras são colhidas; os fármacos antivirais que são tomados; e a sensibilidade dos kits para a realização dos testes RT-PCR.

No entanto, no estudo de Lan L et al., as hipóteses “método como as amostras são colhidas” e “sensibilidade dos kits para a realização dos testes RT-PCR” foram descartadas pelo facto de ter sido o mesmo técnico a realizar a recolha das amostras e ter-se utilizado dois kits distintos para a realização do teste.

A hipótese “fonte de recolha das amostras” parece ser relevante, com base nos resultados de Hase R et al. (Infectious Diseases 2020), que mostrou que uma mulher que viajou de Wuhan para o Japão, e que apresentava sintomas de COVID-19, teve RT-PCR negativo quando se analisou a amostra obtida a partir da zaragatoa à garganta e teve RT-PCR positivo quando se analisou o escarro.

Assim, o Hospital HwaMei implementou como standard para alta médica a ocorrência, por duas vezes consecutivas (num intervalo maior de 24), de resultados negativos para os testes RT-PCR para três fontes de amostra distintas: zaragatoa nasofaríngea, escarro e fezes.

A realização de estudos que respondam se os doentes com alta médica e portadores de ARN viral podem ser uma fonte de disseminação da infeção é urgente e fundamental. Enquanto não se tem resposta para esta questão, devem-se tomar medidas extra para se dar alta médica, como por exemplo, as sugeridas por Zhang JF et al. e implementadas no hospital HwaMei.

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