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Urgência no regresso da atividade do gastrenterologista

A crise pandémica que o país atravessa surtiu consequências diretas nos cuidados de saúde, uma vez que estes foram obrigados a mudar as suas prioridades na atividade clínica, obrigando o cancelamento de consultas e exames e até mesmo a suspensão da atividade clínica de várias especialidades. A News Farma falou com o Prof. Doutor Rui Tato Marinho, diretor do Serviço de Gastrenterologia e Hepatologia do Hospital de Santa Maria (CHULN), que reforçou a importância da “rápida resposta” aos desafios impostos pela pandemia, revelando também os passos que devem ser seguidos para garantir “que nenhum doente fica para trás”. Assista ao vídeo da entrevista.

Tendo em conta o elevado risco de contágio do novo coronavírus na prática dos exames desta especialidade – endoscopia, colonoscopia e colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) -, devido à formação de aerossóis na sua realização, os médicos gastrenterologistas foram obrigados a suspender a sua atividade, cumprindo os “pedidos das administrações hospitalares e recomendações das autoridades sanitárias portuguesas e internacionais”, começa por explicar o presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG), salientando que “se asseguraram os casos urgentes”.

A mudança na atividade clínica do gastrenterologista no país foi radical. “Realizamos 300 mil colonoscopias por ano, são, por isso, mil por dia”, enumera, explicando que a redução da atividade endoscópica reduziu 90%. Esta diminuição é, neste momento, uma das maiores preocupações dos profissionais de saúde ligados “às doenças do aparelho digestivo”, que acompanham “o diagnóstico, o tratamento, o estadiamento e a paleação”.

Os efeitos desta paragem na atividade são claros e urgentes para o especialista. “Um grande peso está nos cinco cancros desta especialidade – esófago, estômago, pâncreas, fígado, cólon e reto –, que são um dos terços dos cancros dos portugueses, que precisam de uma rápida intervenção”. Aferindo o impacto desta crise, o gastrenterologista menciona os dados estatísticos mais recentes: “Só de um mês, apareceram cerca de 1.500 cancros do aparelho digestivo e grande parte deles não estão a ser seguidos”, alerta.

Por outro lado, o médico mostra-se satisfeito pela forma rápida como o país respondeu ao desafio. “Portugal conseguiu-se adaptar rapidamente, tendo tido sucesso no número de mortes”, afirma, acrescentando que outros países “com um sistema de saúde melhor que o nosso” não tiveram o mesmo resultado, onde “muitos profissionais de saúde acabaram por cair em combate”.

O plano de atuação foi desenhado rapidamente, abrangendo também o regresso à normalidade. “O sistema de saúde, neste momento, é muito mais seguro para os doentes realizarem os seus exames, porque nós, como profissionais de saúde, também nos queremos proteger e não vamos abrir mão de quebras de segurança e confiança”, garante. No entanto, não será fácil: “O número de procedimentos que iremos começar a realizar será menor, uma vez que estão implicadas desinfestações das salas e um reforço no equipamento de proteção individual para os médicos e os enfermeiros”.

Retomando progressivamente a atividade, o Prof. Doutor Rui Tato Marinho acredita que “vamos chegar a uma fase de equilíbrio”, sem se perder tanto tempo na preparação das salas e dos profissionais, sem abdicar a segurança na realização dos procedimentos e, acima de tudo, garantir “que não deixamos pessoas para trás e nos adaptamos a esta nova realidade”.

O médico afirma que com “mais investimento nas infraestruturas, mais recursos humanos e equipamentos”, o SNS será capaz de conseguir responder aos desafios do “pós-guerra”, apelando a uma task force entre todos os intervenientes.

Por fim, o presidente da SPG aproveita para defender a atividade do gastrenterologista e a competência do SNS, elogiando os progressos registados nos últimos anos no tratamento de doenças, particularmente da hepatite C. Além disso, o especialista destacou também o posicionamento internacional da especialidade e o seu papel na evolução da melhoria da saúde digestiva dos portugueses.

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